Nova versão do Ford Mustang Bullitt surpreende





Nova versão do Ford Mustang Bullitt surpreende

O Mustang Bullitt terá produção limitada, mas a Ford não especificou a quantidade

Fotos: Divulgação/Ford | Texto: Raphael Panaro | Adaptação web Renê Saba

Compartilhe esse conteúdo

Um Dodge Charger R/T salta pelas ruas e ladeiras de São Francisco (Estados Unidos). Em sua cola está um ícone da indústria automotiva – em um inesquecível tom de verde. Pilotado por Steve McQueen, diga-se. Entre tiros de escopeta, carros na direção contrária e derrapagens controladas, Frank Bullitt vai atrás dos vilões em uma das mais famosas cenas de perseguição da história do cinema, que ficou conhecida como The Chase. O filme virou um clássico. O Ford Mustang GT 390 1968 também. E agora ele está de volta.

Com apresentação de Molly McQueen – neta do astro do cinema – e ao lado do Mustang original de 1968 usados nas filmagens (contaremos a história dele mais tarde), a nova reinterpretação do Bullitt ofuscou SUVs e picapes gigantes para se tornar o centro das atenções da edição 2018 do Salão de Detroit (EUA). Vale lembrar que a versão GT do esportivo desembarca oficialmente no Brasil em março com o V8 5.0 litros de 441 cv de potência e R$ 299 mil na etiqueta de preço.

A série especial envolvendo o filme dirigido por Peter Yates não é inédita. A sequência eletrizante de quase 10 minutos criou uma mística do esportivo e isso acabou originando carros limitados na quarta e quinta gerações do pony car, em 2001 e 2008, respectivamente. O carro de sexta geração (terceira do Bullitt) terá produção restrita. As vendas começam no segundo semestre desse ano apenas nos Estados Unidos. Detalhes sobre preço e quantidade de exemplares devem surgir nos próximos meses.

Ford Mustang

KING OF COOL

Uma coisa é certa: os Mustang vão sair da linha de produção da fábrica de Flat Rock, no Michigan, em apenas duas cores. A primeira delas é, claro, o clássico verde Dark Highland usado no filme. A outra foi batizada de preto Shadow. Além da cor, existe outras características que prestam homenagem ao carro dirigido pelo King of Cool, como os frisos finos cromados ao redor da grade e das janelas dianteiras, além das clássicas rodas de alumínio de 19 polegadas finalizadas em preto brilhante, com freios Brembo e pinças vermelhas. O modelo não traz nenhum logotipo alusivo ao Ford Mustang ou à marca. Há apenas um badge circular Bullitt aplicado na falsa tampa de combustível na traseira e no miolo do volante.

Ford Mustang

Se o Ford Mustang tinha um V8 big block, sua versão moderna não fica atrás. O Bullitt contemporâneo é equipado com o mesmo oito cilindros em V, mas com 5 litros de deslocamento e retrabalhado para produzir 481 cv – 40 cv a mais que versão comum. O torque é de 58 mkgf. Entre as modificações está o coletor de admissão do GT350. O carro ainda vem com válvula ativa no sistema de escapamento, que dá um belo ronco ao esportivo. O interior mistura modernidade com referências ao filme que estreou nos cinemas em 17 de outubro de 1968. O painel de instrumentos digital de 12 polegadas é igual ao usado na versão GT, mas com tela exclusiva de boas-vindas, em verde, e a imagem do Bullitt estampada. O tom ainda é encontrado na costura dos bancos Recaro e no acabamento do console central, painéis e portas. A transmissão manual de seis marchas traz empunhadora esférica branca, como um tributo ao modelo original.

1968

Voltemos a 1968. Dois exemplares idênticos do fastback foram usados em Bullitt. Depois da filmagem, os carros seguiram caminhos diferentes: o veículo principal dirigido por McQueen foi vendido pela Warner Bros para um comprador particular e o outro – usado em muitos saltos na cena de perseguição – foi enviado a um depósito de sucata. Este último ressurgiu em Baja Califórnia (México) no início de 2017, mas o outro ficou perdido para a história. Até agora. Sean Kiernan herdou o carro em 2014 do seu falecido pai, Robert, que o havia comprado em 1974. Para realizar o sonho da família, Kiernan entrou em contato com a Ford para colocá-lo ao lado do novo Mustang Bullitt no Salão de Detroit. Deu certo. Mesmo 50 anos depois, o carro de 1968 ainda gera comoção.



Comentários