Testamos a McLaren 720S na estrada infernal na Califórnia





Testamos a McLaren 720S na estrada infernal na Califórnia

Escolhemos uma das piores estradas dos EUA para colocar um dos melhores carros da Inglaterra

Fotos: Divulgação | Texto: Greg Pajo

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Muitas ótimas rodovias são. A pouco mais de 130 km ao leste de Los Angeles, o extremo norte desta colcha de retalhos de asfalto de 45 km oferece vistas incríveis da confluência das falhas de San Andreas e San Jacinto. A cerca de 900 metros acima, perto da extremidade sul da estrada, o inverno despeja 80 centímetros de neve. O asfalto aqui é agredido por cima e por baixo, e deixa isso bem claro.

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Mas a maior parte da SR 243 é quebrada e esburacada devido aos anos de negligência. Ela conecta uma cidade industrial de 30.000 habitantes a uma cidadezinha com menos de 100 moradores, e em qualquer direção que você dirija, será convencido de que ela não vai a lugar algum. Não surpreende, portanto, que ela tenha sido esquecida e ignorada pelas agências de transportes, sempre ocupadas com os grandes corredores viários.

Esta estrada, também conhecida como a Banning-Idyllwild Panoramic Highway, deve ser uma proposta traiçoeira para um carro de US$ 378.215 que percorre a superfície a uma distância de 10,5 cm do solo e o equivalente a meio ano de salário de um jornalista em fi bra de carbono pendurada nas pontas do carro. Movendo as rodas traseiras com um V8 de 720 cv, o McLaren 720S é um Dodge Hellcat feito por uma equipe de F1. Pela própria admissão do engenheiro chefe, este novo McLaren é mais rápido na pista que o milionário P1. Diante disso, você pode supor que ele é brutal e intransigente, tão absurdamente rápido que ele se recusa a ser dirigido nesta trilha melhorada que chamam de rodovia.

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Mas ele não é nada disso, e não se recusa a nada. Quando a McLaren voltou ao ramo dos carros em 2011, seu MP4-12C (que depois virou 12C e depois 650S) desafiou as casas italianas com uma abundância de carbono e potência turbinada de sobra. A melhor contribuição da McLaren para o reino dos supercarros, contudo, é a vantagem do chassi que ele imprime sobre a Ferrari e a Lamborghini. Com uma suspensão que traça paralelos com um sedã francês de 60 anos, o 720S entrega a qualidade de rodagem de um Mercedes Classe S, com a dinâmica de um… bem, de um McLaren.

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O sistema Proactive Chassis Control II conecta os amortecedores da direita e da esquerda com uma rede de mangueiras hidráulicas e acumuladores, de forma que a compressão em um lado resiste à extensão do lado oposto. Isso permite aos engenheiros aumentar a rigidez à rolagem sem comprometer a complacência vertical que determina a qualidade de rodagem. Uma estrada técnica e cicatrizada como a 243 é o lucar perfeito para testar as capacidades do sistema.

A estrada se eleva rapidamente em uma série de curvas rápidas, porém com inclinação negativa. Um vendo ardido de fim de inverno trabalha contra os pneus Pirelli P Zero Corsa opcionais do 720S, que tentam esquentar a banda de rodagem antes de agarrar o asfalto com uma força de 1,10 g. É preciso assumir um ritmo fervoroso para manter os pneus quentes e tranquilos — um ritmo que o McLaren 720S atinge sem esforço. Nas curvas o carro gruda como se estivesse pressionado contra o solo pela mão de Deus, e mesmo assim parece leve e ágil como um Miata. Poucos fabricantes contam gramas obsessivamente como a McLaren. Eles tiraram até mesmo o diferencial de deslizamento limitado em nome da redução de peso. Com 1.430 kg, o McLaren aponta 71 kg a menos que um Porsche 911 GT3 de embreagem dupla.

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A suspensão esperta do 720S transforma a rodovia em uma superfície fluida, enquanto a direção com assistência eletro-hidráulica posiciona o carro com precisão. Apesar desta competência, há uma desconexão no peso da direção, que mantém um peso consistente independentemente da carga de suspensão na curva. Sem essa sugestão, é difícil saber exataemnte quão perto você está do limite. Se você estiver esperando sutilezas no peso da direção para aprender os limites do carro, passará quilômetros em velocidades ilegais bem abaixo da capacidade do carro.

Em vez disso, o 720S se comunica com a velha sensibilidade da direção. O volante se agita e transmite vibrações enquanto anuncia as variações da suspensão e mergulha ou sobe de forma que você só notaria pelos movimentos da carroceria. Ou talvez nem notasse. Na SR 243 a direção do McLaren conversa incessantemente, fornecendo um fluxo contínuo de feedback que guia suas mãos para fazer correções instintivas. Use as palmas para sentir a intensidade destes sinais e você se verá exatamente no limite do carro. Quanto mais próximo você coloca o McLaren 720S de seu limite, mais alto a direção fala. 

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