Testamos o Nissan Leaf e sentimos o carro elétrico que produz 147 cavalos

O Nissan Leaf é um carro elétrico com o motor silencioso e capaz de produzir 147 cavalos

Fotos: Divulgação/Nissan | Texto: Tony Quiroga

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Chegou o grande dia. Testamos o Nissan Leaf, próximo exemplar dentro da gama de carros elétricos que irão chegar ao Brasil. A nossa viagem começa no Sul da Califórnia nos EUA. As temperaturas são as melhores para o bom funcionamento das baterias de íons de lítio, e o inverno é tão ameno que o ar-condicionado é necessário em cinco meses do ano. O estado político também é favorável. Dentro do estado, muitas cidades oferecem incentivo ao uso de carros elétricos, inclusive disponibilizando postos de recarga pela cidade, como no estacionamento do aeroporto de Los Angeles. 

O veículo será vendido no Brasil, infelizmente sem o incentivo político dado aos californianos. O motor oferece um silêncio quase total, e agora produz 147 cv, e não mais 110 como na versão anterior. Os motores elétricos resolvem dois problemas dos carros compactos de uma só vez: a falta de torque e o ruído de quatro-cilindros. Sob o motor existe um enorme cubo de metal que aloja o módulo de entrega de potência, o inversor e o motor elétrico. Mesmo com 40 cavalos a mais, a aceleração do Leaf ainda não chega perto de qualquer Tesla. A aceleração de 0 a 100 km/h é feita em 7,4 segundos, mas é o torque que impressiona: 32,5 kgfm. Um simples tapa no acelerador, e pronto. 

Nissan Leaf

SEJA SUAVE!

Só não abuse do acelerador com frequência ou a bateria de íons de lítio de 40kWh começa a descarregar como uma pilha de camelô. A Nissan diz que a autonomia é de 240 km, e é possível conseguir isso, embora seja preciso ser suave e lento, duas coisas que nossos editores não são. Deixamos nossa pista de testes com 98% de carga e 243 km de autonomia exibidos no computador de bordo. a 120 km/h, notamos que a autonomia começou a cair mais rápido que a subida do odômetro. Reduzir para 105 km/h estabilizou as duas leituras e garantiu que voltássemos tranquilamente.

Há pouco incentivo para levar um veículo elétrico a uma estrada nas montanhas, mas a plataforma do Leaf, uma adaptação de seu antecessor, acomoda a bateria sob o assoalho. Colocar o peso assim tão baixo ajudou no equilíbrio dos 1.590 kg do Leaf. Os pneus Michelin Energy Saver foram claramente escolhidos por sua baixa resistência à rolagem, e eles começam a uivar bem antes dos 0,79 g de aceleração lateral, mas isso não é exclusivo do Leaf. O feedback da direção é bom e o chassi é estável, além disso, o torque do motor do Leaf o ajuda a sair das curvas com facilidade. Só não ative o sistema ProPilot assist quando estiver em uma estrada divertida.

Em curvas mais graduais ou em uma rodovia reta o Propilot Assist centraliza o Leaf na faixa e, caso você ignore os alertas da Nissan, ele também permitirá que você solte o volante por alguns segundos, desde que ele consiga ler a pintura no asfalto. A capacidade de fazer isso é exibida na metade digital do quadro de instrumentos, mas ele avisa com um bipe todas as vezes em que perde as marcações. Como em qualquer cruise control adaptativo, ele varia a velocidade de acordo com o trânsito, mas achamos que o ProPilot Assist reduziu a velocidade cedo demais e com muita frequência, a ponto de ser perigoso. O ProPilot Assist não faz curvas. O sistema reduz a velocidade para curvas apertadas, mas prefere velocidades e forças G dignas de um instrutor de auto-escola.

26 HORAS

Para aliviar a dor de andar tão devagar, a Nissan equipou o novo Leaf com o e-pedal. ao ativá-lo, ele injeta anestésico no acelerador em uma tentativa de suavizar os movimentos do seu pé direito. Mas o melhor truque do e-pedal é a frenagem regenerativa cada vez maior. sem tocar o pedal de freio o motorista pode trazer o Leaf até a parada completa. Se você pisar no freio a 110 km/h, o Leaf irá parar em longos 58 m, mas nas ondas de aceleração e desaceleração, essa condução de um pedal só é uma baita conveniência. Depois de provar, você não vai querer outra coisa. Ao chegar em casa depois de nossa sessão de testes, o Leaf exibia 66 km de autonomia restante. Some isso aos 169 km rodados e o Leaf poderia ter rodado 235 km em nossa combinação de percurso rodoviário com abuso nas estradas das montanhas. Conectado a uma tomada caseira de 120 volts, a bateria levou 26 horas para ser recarregada. Em uma unidade de 240 volts, a recarga leva sete horas. existe um conector de recarca rápida opcional nos modelos s, e de série nas versões SV e SL.

Com os mesmos 2,7 metros de entre-eixos do primeiro Leaf, a nova versão oferece iguais 680 litros de porta-malas do modelo anterior. O interior é mais atraente: o amplo quadro de instrumentos digital ao lado do velocímetro analógico é configurável de várias formas, e a tela sensível ao toque funciona rapidamente, sem atrasos. Dito isso, a qualidade do acabamento interno do Leaf é a mesma do Sentra.

Nissan Leaf

AUTONOMIA X BOLSO

Sem incentivos o Leaf parte de US$ 30.875 nos EUA. A versão intermediária SV, como a testada, vem de série com capacidade de recarga rápida, uma tela de 7 polegadas, rodas de 17 polegadas, GPS, cruise control adaptativo e sistema multimídia com conectividade Android Auto e Apple CarPlay por us$ 33.375. Com os demais opcionais, como os faróis de Led, o preço vai a US$ 36.845 – valores que o colocam abaixo do chevrolet bolt de US$ 37.495 e 385 km de autonomia.

A bateria maior e a autonomia superior do Leaf dão a ele uma grande vantagem sobre carros elétricos pouco mais baratos, mas a mesma lógica se aplica quando se compara o Bolt ao Leaf. A Nissan logo irá oferecer uma bateria de 60 kWh, igual à do Bolt, o que deve levar a autonomia do Leaf além dos 320 km. Seríamos omissos se não mencionássemos o Tesla Model 3. A Tesla prometeu 350 km de autonomia em seu Model 3 por US$ 36.000, mas a empresa atualmente só produz a versão de 500 km, que parte de us$ 45.000.

O elétrico da Nissan é o que oferece a melhor relação autonomia por dinheiro. Mas a adição dos opcionais colocam o Leaf perto do Bolt e do Model 3. Ainda precisamos dirigir o 3, mas o Bolt é mais divertido e vai mais longe que o Leaf. Ir mais longe é o que importa nesta categoria de carros, e embora o Leaf tenha melhorado muito e se tornado mais prático que antes, é o Bolt quem trilhou seu caminho no sonho da Califórnia.

RG DO NISSAN LEAF

PREÇO:

US$ 30.875 (básico)
US$ 36.845 (testado)

MECÂNICA


MOTOR: elétrico

POTÊNCIA:
147 cv

TORQUE:
32,6 mkgf

TRANSMISSÃO: Direta, 1 marcha, tração dianteira

RELAÇÃO DE MARCHAS:

DIFERENCIAL: 8,19 :1

SUPENSÃO D/T: independente/ eixo de torção

FREIOS D/T: discos ventilados

RODAS E PNEUS: 6,5 x 17 215/50 r17

DIMENSÕES

COMPRIMENTO: 4,48 m
LARGURA: 1,79 m
ALTURA: 1,55 m
ENTRE-EIXOS: 2,70 m
PORTA-MALAS: 680 l
PESO: 1.584 kg

DESEMPENHO (TESTE C/D)

ACELERAÇÃO:

0-50 KM/H: 5,5 s
0-100 KM/H: 7,4 s
0-120 KM/H: 9,9 s
0-140 KM/H: 16,8 s

FRENAGEM:

100-0 KM/H: 58,1 m

CONSUMO:

URBANO: 53,1 km/l
ESTRADA: 42,5 km/l
COMBINADO: 47,6 km/l

NÍVEL DE RUÍDO
NEUTRO: 25 dB
100 KM/H (D): 65 dB
ACELERAÇÃO TOTAL: 67 dB



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