Testamos o Audi R8 V10 Plus e o Mercedes AMG GT R





Testamos o Audi R8 V10 Plus e o Mercedes AMG GT R

Confira o comparativo entre o Audi R8 V10 Plus contra o Mercedes AMG GT R

Fotos: Divulgação | Texto: Raphael Panaro | Adaptação web Renê Saba

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Mercedes-AMG GT R e Audi R8 V10 PLUS. Somados esses esportivos custam quase R$ 2,4 milhões. Abundância de fibra de carbono e muita tecnologia. De um lado, um moderno V8 4.0 biturbo capaz de fornecer 585 cv. Do outro, um V10 5.2 naturalmente aspirado de Lamborghini e 610 cv. De um lado, a racionalidade da tração integral. Do outro, toda a esportividade e poder de queimar borracha que só um tração traseira entrega. De um lado, equilíbrio. Do outro, o caos. E aí? Quem leva a melhor?

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Audi R8 V10 Plus

Me sinto no filme Matrix, pronto a tomar a pílula vermelha. A pílula aqui é o botão de mesma cor cravado do volante. Sem titubear, afundo o dedo. O V10 5.2 vocifera. Logo passo para a tecla abaixo. Ela controla a sonoridade dos dez canecos. Do lado esquerdo do volante, há mais dois comandos. O primeiro seleciona os quatro modos de condução: Comfort, Auto, Dynamic e Individual. O outro, com desenho de uma bandeira quadriculada, é personificação do capeta. Ele ativa o modo Performance, o mais endiabrado de todos. Vou nesse mesmo.

A suspensão magnética deixa os amortecedores mais duros que você no fim do mês, as trocas de marcha são feitas na faixa vermelha – leia-se, quase 9 mil giros –, o acelerador fica introvertido e a direção se torna ainda mais certeira.

Sequência de curvas. Reduzo, uma, duas marchas. A transmissão automatizada de dupla embreagem e sete marchas telepaticamente atende meu pedido. O Audi aponta e se atira com a estabilidade de um servidor público.

Audi R8, carros esportivos, carros de luxo

CALCULISTA

O bólido, uma mistura de alumínio e fibra de carbono, mantém a carroceria estável, sem dramas. A maestria do contorno tem ajuda da tração integral Quattro e dos pneus Pirelli PZero. O carro usa basicamente a arquitetura do Lamborghini Huracán. São 50 kg a mkgf são entregues de uma forma menos abrupta que no GT R. O Audi é aquele alemão estereotipado: frio e calculista.

Já o convívio citadino é menos complicado que esse bicho verde das fotos. Não que o modo Comfort deixe a suspensão igual a espuma. Ela continua firme, porém maltrata menos. A visibilidade do Audi R8 também é melhor e a cabine não é tão claustrofóbica. Sem falar no aspecto moderno, com a tela digital de 12,3" que faz o papel de cluster, multimídia e tudo que você precisa saber sobre o esportivo.

O Audi R8 tem uma pegada diferente. É um carro para iniciados, mas iniciantes (como eu) tem probabilidade menor de fazer besteiras. Será uma lástima se os boatos sobre o fim desta joia alemã se confirmarem.

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Mercedes-AMG GT R

(In)felizmente a frieza dos números e a precisão da tração integral Quattro fizeram mais uma vítima. Mas não se deixe enganar. Se você é daqueles que prefere Metallica à Orquestra Sinfônica (como eu) este carro verde é a escolha certa. Digo isso porque tive a oportunidade de experimentar a antiga geração do Audi então eu sabia o que estava por vir. No AMG não. Nem no GT S havia andado. E isso fez do GT R a experiência mais insana que tive ao volante.

Eu costumo dizer que no aniversário de 50 anos da AMG, quem ganhou o presente fomos nós. O "nós" aqui é mero modo de falar (ou escrever), já que parcas pessoas ao redor do globo podem ter um desses carros para chamar de seu. Ainda mais no Brasil onde nem o prêmio máximo do Show do Milhão daria para comprar um exemplar – faltariam R$ 200 mil. Mas por um dia eu me senti presenteado.

Primeiro porque a cor era exatamente igual a das fotos da época do lançamento: Green Hell Magno. O nome é uma homenagem a lendária pista Nürburgring Nordschleife ou “Inferno Verde”, alcunha dada pelo tricampeão de Fórmula 1, Sir Jackie Stewart e onde foi feito grande parte do acerto dinânico.

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CACO DE VIDRO

E de fora o Mercedes-AMG GT R impressiona mais que o Audi. As peças escuras que você vê no GT R fazem parte da dieta rica em fibra... de carbono. O intuinto é reduzir o peso – mesmo que seja 15 kg a menos que o GT S (total de 1.630 kg). A massa
ainda é mais bem distribuída no Mercedes: 47,3% na dianteira e 52,7% na traseira (o R8 tem relação 42/58). O capô, mais longo que "O Poderoso Chefão", esconde a cereja do bolo. Ali embaixo está o V8 4.0 com dois turbos.

Na versão S são vomitados 510 cv. Só que os caras da AMG injetaram anabolizantes no Mercedes-AMG GT R. Aumentaram pressão das turbinas (de 1,2 para 1,35 bar), remapearam a central eletrônica e aumentaram a taxa de compressão.

Aperte o botão de partida e seja inebriado pelos 585 cv baforando nos seus ouvidos. Me arrisco a dizer que a trilha que sai do escapamento central é uma das mais bonitas que já ouvi. Ao mesmo tempo que o ronco é gutural, como se um leão estive com um caco de vidro entalado na garganta, ele é intimidador. Hora de colocar o chamativo e amarelo cinto de segurança e cutucar a fera.

Tenho que admitir. O interior do Audi me agrada mais. É minimalista e moderno. Tem o baita painel de instrumentos digital, comandos do ar-condicionado em um lugar estratégico e volante que parece saído de um carro de
corrida. O metaleiro GT R merecia uma parceria com o Daft Punk. Ao entrar você é bombardeado de botões e seletores no console central. Aliás, nem ouso mexer em dois deles. São nove estágios de controle de tração e três de estabilidade.

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